Eneas Neto foi um dos brasileiros que desfilou no Brasil Eco Fashion Week Milão (BEFW) com o nosso apoio; confira a entrevista exclusiva com o estilista

O Brasil Eco Fashion Week, evento que acontece anualmente no Brasil voltado à sustentabilidade, realizou sua quinta edição neste ano junto com a primeira edição do BEFW Milão, que em parceria com o Fashion Vibes  – evento que faz parte do calendário da Semana de Moda de Milão -, levou marcas brasileiras para a capital da moda. Eneas Neto, estilista paranaense, desfilou por lá com o nosso apoio. Conversamos com ele para saber mais sobre sua marca e também para trazer detalhes dessa primeira parceria. Leia abaixo!

Trajetória e marca

TexPrima: Eneas, conta um pouco da sua trajetória pra gente.

Eneas Neto: Trabalho desde 1998 com criação e desenvolvimento de produto atendendo marcas de vários portes e lugares. Após minha participação em 2013 no reality show Project Runway Latin America (gravado no México e transmitido para toda a América Latina) resolvi que era hora de me dedicar exclusivamente ao projeto de ter uma marca.

TexPrima: Quando iniciou sua marca?

EN: Em 2013 ainda vivendo em Buenos Aires.

TexPrima: Como despertou a vontade de trabalhar com moda?

EN: Desde muito jovem, aos 8 anos. Uma das minhas irmãs fez um curso de desenho de moda e eu copiava os desenhos dela.

TexPrima: Como foram os primeiros anos de marca e seus principais trabalhos?

EN: Os primeiros anos foram de muito aprendizado. Ainda hoje entendo que tenho muito a aprender e a cada dia um novo desafio é apresentado. Desde 2014, apresento anualmente desfiles, tendo estreado no ID Fashion (Curitba/Paraná), após isso fiz parte do Projeto Estufa na SPFW e desde 2019 faço parte do line-up do Brasil Eco Fashion Week. Neste ano de 2021, apresentei minha primeira coleção em solo europeu na Fashion Vibes, que é um evento dentro do calendário oficial da Semana de Moda de Milão.

Técnicas de modelagem e zero waste

TexPrima: Quais técnicas de modelagem você usa?

EN: Trabalho bastante moulage pois a construção da peça diretamente sobre o manequim agiliza a visualização do produto final e permite maior liberdade criativa.

TexPrima: Quais as maiores vantagens e desvantagens?

EN: A modelagem em três dimensões leva um pouco mais de tempo em comparação à modelagem plana, porém possibilita uma melhor visualização do produto final e reduz a quantidade de ajustes.

TexPrima: Você também aplica o conceito do zero waste em seu trabalho. Como funciona?

Trabalhar uma modelagem que tende ao zero desperdício é desafiador, exige bastante tempo de estudo de encaixe em cada peça.

TexPrima: Por que o aplica em seu trabalho?

EN: Pela necessidade de gerar o mínimo de resíduo sólido possível. Sabemos da quantidade de lixo gerada por uma indústria de confecção e que nem sempre estes retalhos têm um destino apropriado.

TexPrima: Você foi utilizando a técnica sozinho ou contou com alguma ajuda/curso?

EN: A técnica é relativamente nova, então não temos acesso a muitos cursos ainda, mas o estudo é constante e cada peça precisa ser planejada cuidadosamente.

TexPrima: Sabemos que o zero waste é uma proposta dentro da sustentabilidade. Existem outros conceitos sustentáveis que você também utiliza?

EN: A escolha de materiais também é fundamental na hora de pensar um produto sustentável. (Saiba mais sobre essa técnica e como a marca utiliza nesse vídeo no IGTV)

BEFW, coleção e parceria

TexPrima: Como aconteceu entrar para o BEFW Milão?

EN: Durante a edição 2019 da BEFW recebemos a visita de uma curadora de um dos eventos do calendário de Milão e desde então, juntamente com a organização da BEFW, procuramos maneiras de viabilizar esta parceria e buscar o melhor parceiro na Europa para concretizar tal projeto.

TexPrima: Quais foram as matérias-primas utilizadas para essa coleção?

EN: Nesta coleção trabalhei três bases da TexPrima: Cotton Recycle, Nilo Vietnã e o Cotton Paper.

TexPrima: Por que as escolheu? Teve algum diferencial na composição, caimento, qualidade, etc?

EN: A escolha partiu inicialmente das composições, passou pelo caimento e toque na pele (uma grande preocupação da marca) e chegou finalmente na qualidade e facilidade de manutenção de cada matéria-prima após termos o produto acabado. Lembrando que este posicionamento na Itália também visa a venda e foi de extrema importância contar com materiais de excelente qualidade como os da TexPrima.

TexPrima: Como foi a relação do conceito da coleção com a escolha das matérias-primas?

EN: A coleção falava de força e leveza ao mesmo tempo, porque teve como referência a Gralha Azul (pássaro símbolo do estado do Paraná), uma ave forte. Pensei em materiais que transmitissem esta ideia de resistência (Cotton Paper e Cotton Recycle). A textura e o movimento do Nilo Vietnã trouxe a sensação de bem-estar.

TexPrima: Como foi trabalhar com a TexPrima?

EN: Foi uma honra trabalhar com a TexPrima. Desde nossa primeira reunião me senti bem-vindo e tive todo o apoio necessário, desde a reunião com o marketing até o excelente atendimento com o representante da região de Maringá. Confesso ter tido grande dificuldade em escolher as bases devido à enorme gama de produtos disponíveis.

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