O Dia da Mulher na sociedade contemporânea

Conheça mais sobre a luta feminina ao longo dos anos e a importância da discussão de gênero na sociedade contemporânea

São muitas as questões que permeiam o universo feminino e suas lutas por reconhecimento e identidade em um mundo culturalmente masculino. Essa luta por igualdade, chamada de feminismo, segundo historiadores, surgiu durante a Revolução Francesa no século XVII e é contemporânea ao Iluminismo francês cujo o mote era Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

As sufragistas, como ficaram conhecidas, lutaram pelo direito ao voto feminino em meio a uma sociedade fortemente patriarcal. Na Inglaterra, país onde o movimento sufragista ganhou mais força, Emmeline Pankhurst* se tornou uma das principais líderes. O movimento teve desdobramento por todo mundo, incluindo Estados Unidos e Brasil.

Segundo dados recentes da ONU, Organizações das Nações Unidas, a diferença salarial entre homens e mulheres em posições semelhantes de trabalho é de cerca de 23%. Para Anuradha Seth, conselheiro da ONU (Organizações das nações unidas):  “Não há um único país, nem um único setor em que as mulheres tenham o mesmo salário de homens“. Além disso, a violência contra a mulher possui dados alarmantes, sendo o Brasil o quinto país na lista dos que mais matam por questões de gênero.

Mulheres como Angela Davis, Simone de Beauvoir, Djamila Ribeiro e Antônia Pellegrino* construíram seguem erguendo pontes para que o feminismo ganhe voz e seja entendido como um movimento que busca igualdade e respeito entre todos.

Mulheres que fazem história TexPrima

Vislumbrar um futuro onde meninas e mulheres estejam em pé de igualdade, sem distinção por gênero, raça ou posição social é o impulso que move esta luta no presente para deixarmos como legado futuro a liberdade e o direito feminino de ser e florescer. Para isso, é necessário, cada vez mais, conscientizar a respeito das dificuldades existentes para as mulheres em pleno século XXI, através da discussão acerca das questões de gênero, violência, desrespeito e inferiorização do universo feminino.

“O problema com a questão de gênero é que ela dita como nós devíamos ser, ao invés de reconhecer como nós somos. Imagine como seríamos mais felizes, o quão livres seríamos para sermos nós mesmos, se não tivéssemos o peso das expectativas de gênero.”   Chimamanda Ngnozi

Em fevereiro, o grupo Promex proveu um talk, juntamente com o coletivo Não é Não, trazendo a discussão sobre assédio, feminismo e respeito, não apenas no carnaval, mas em todos as áreas da sociedade e durante o ano todo. Entender, apoiar e divulgar as questões de gênero como meio de transformação comportamental são elementos importantes na evolução da sociedade e aprimoramento individual.

 A ARTE E AS MULHERES EM SÃO PAULO

A luta feminina também passa pelo universo artístico. No ano passado, São Paulo recebeu duas grandes exposições que abordavam o tema. A primeira delas, do coletivo Guerrilla Girls, um grupo de artistas que preferem o anonimato usando máscaras de gorilas ficou exposta entre setembro de 2017 e fevereiro de 2018 no MASP. O coletivo de artistas mulheres foi fundado em 1985 nos Estados Unidos e questiona a falta de diversidade nos museus, galerias e leilões. Seus protestos, intervenções e performances durante três décadas resultaram em uma maior visibilidade para arte feminina.

O próprio MASP, em resposta à exposição, aumentou de 6% para 16% o percentual de artistas mulheres em seu “acervo em transformação”. O museu reconhece que o número ainda é baixo, mas afirma que segue trabalhando a fim de aumentar essa estatística. Além disso, em homenagem à semana do Dia Internacional da Mulher, houve uma intervenção no “acervo em transformação” em que as obras dos artistas homens foram realocadas nos versos dos cavaletes de cristal, o que, de acordo com o próprio museu, reforça a disparidade entre os gêneros dos artistas ali expostos.

Outra exposição de grande repercussão foi Mulheres Radicais: Arte Latino-americana em cartaz de 18 de agosto a 19 de novembro de 2018 na Pinacoteca. A exposição traz artistas mulheres latino-americanas das décadas 60 a 80. A exposição mapeou a trajetória artística dessas mulheres, reunindo mais de 280 trabalhos entre vídeos, fotografias, pinturas e outras expressões artísticas.  Para Cecilia Fajardo-Hill, que assina a curadoria da mostra juntamente com Andrea Giunta, “as vidas e as obras dessas artistas estão imbricadas com as experiências da ditadura, do aprisionamento, do exílio, tortura, violência, censura e repressão, mas também com a emergência de uma nova sensibilidade”.

MULHERES QUE FAZEM HISTÓRIA

*Angela Davis: Ativista feminista e defensora dos direitos civis da população negra nos Estados Unidos, também foi mebro do grupo Panteras Negras.

*Djamila Ribeiro: Filósofa e escritora brasileira sobre questões de gênero e raça.

*Antônia Pellegrino: Ativista dos direitos das mulheres.

*Emmeline Pankhurst: Fundadora do movimento sufragista inglês e uma das mulheres mais influentes na luta pelo voto feminino.

*Simone de Beauvoir: Foi uma intelectual francesa, filósofa existencialista, ativista política, teórica social e uma das mais importantes escritoras feministas.

*Chimamanda Ngnozi Adichie: Uma das mais importantes escritoras nigerianas do século XXI.

2019-03-21T09:16:01-03:00março, 2019|